Um interminável fim de ciclo

Foto: Divulgação/Instagram @toni.kr8s

Parecia que uma temporada desastrosa ia bastar para escancarar um previsível fim de festa. Zidane chegou prometendo mudanças. Mas as intervenções no mercado foram risíveis. Os únicos que não perceberam a real gravidade da situação foram Zidane e Florentino Pérez, precisamente os únicos com poder para mudá-la.

Um coração despedaçado 


Casemiro-Kroos-Modrić. O meio de campo que todo mundo recita de cor. Não à toa. Os caras fizeram história. Eram o eixo de sustentação quase infalível de um time tricampeão europeu.
Da mesma forma, agora é este o setor que simboliza um Madrid inofensivo. Um dos primeiros atos do verão foi a renovação de Toni Kroos. Mau presságio. Kroos é ótimo jogador e, em bom momento, cuida da bola como poucos. Mas seu ciclo em Chamartín grita por um fim. Anda lento e displicente tanto no momento defensivo quanto na circulação da redonda. E já não é de hoje.
Luka Modrić é gênio, baita meio-campista, um expoente do futebol moderno. Mas, com seus 34 anos, já deveria ter um sucessor claro e que lhe permitisse ter uma contribuição mais pontual. Poderia ser Dani Ceballos, incompreensivelmente defenestrado por ZZ e já completamente à vontade e dono da bola no Arsenal.

A obsessão por Pogba

Tal qual uma criança birrenta, Zidane estabeleceu: “Pogba ou nada”. Nem sequer cogitou as tantas opções mais acessíveis e confiáveis do que o francês, inconstante em seu futebol e em seu comportamento. Van de Beek e Eriksen, ambos vindos de boa temporada, fizeram força para desembarcar no Bernabéu. Fabián Ruiz arrebentou no Europeu Sub-21, junto com o já citado Ceballos. Mas que Zidane, afinal “Pogba ou nada”. Assim, a principal novidade para a temporada na faixa central é o indolente James Rodríguez, de quem não conseguiram se livrar. Aliás, a estreia na Champions é a enésima prova de que Di María nunca deveria ter saído, muito menos para abrir espaço para a chegada do colombiano.

A falta de gol

Que me poupem as viúvas de Cristiano Ronaldo. A vida é um ciclo e existe um limite para se curvar aos caprichos do tão fenomenal quanto egocêntrico português. Existem outros caminhos para um índice respeitável de gols. A questão é que nenhum deles veste a camisa merengue. Benzema cresceu com a saída de CR e é um dos poucos que se salvam atualmente. Bale surpreende com um início de temporada para lá de digno. Hazard é um jogadoraço, mas uma andorinha não faz verão. Os que estão são ótimos, mas falta alguém que seja ainda mais decisivo, definitivamente capaz de devolver o Real Madrid ao grupo dos melhores do continente. O nome é Kylian Mbappé. 

Questão de respeito

Dos reforços, Eden Hazard é o único que chegou com status de titular. De resto, a velha guarda persiste, mesmo porque não existem opções realmente capazes de mudar a dinâmica de um time que vive seu ocaso. A péssima atuação no mercado condiciona à uma temporada que tende a ser tão ruim quanto a última e ameaça o legado de um plantel que marcou época.
Já é hora de este Madrid walking dead, cover de si mesmo, passar aos livros de história. Aí sim, é onde ele estará guardado com letras de ouro.

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