UEFA Premier League

UEFA Premier League

17/03/2019 0 Por Gabriel Andrea

Há quem rechace o campeonato e as equipes ingleses, alegando não suportarem a pressão quando o caminho é estreito, mas esses mesmos times prevalecem nas primeiras posições e em grandes espaços nas vitrines internacionais. Ano após ano a Premier League faz jus ao título de melhor liga do mundo, reconhecimento mundial que tem lhe foi dada graças a disparidade técnica da liga em relação a qualquer outro campeonato europeu de pontos corridos existente. As maior provas cabíveis disso são os produtos da liga: seus times.

Fato é que o desenvolvimento da liga e produtos é crescente e vai muito além dos (notáveis) números. Pegando o gancho nas quatro últimos temporadas, por exemplo, pode-se ver que ao menos 3 clubes ingleses figuram na fase de 16 avos de final da UEFA Champions League todos os anos. Em 15/16, exatamente 3 ingleses tiveram essa proeza.

Em 16/17, também 3 clubes ingleses chegaram na fase de oitavas-de-final (contando até com o Leicester City – que naquela temporada chegou às quartas – após bater o Sevilla). A temporada 17/18 foi a mais marcante: 6 ingleses estiveram nessa fase (contou com o maior número de ingleses presentes na competição europeia em toda a década). Na edição desta temporada, a 18/19, 4 chegaram lá (nas quartas-de-final, inclusive).

Como disse antes, a explicação para tal vai muito além do poderio econômico da liga, mas é impossível tirar de base qualquer coisa sem antes passar por ele. A repartição das verbas é uma coisa que deve ser muito destacada. Cada fator conta. A federação já deu as caras e não quer desequilíbrio.

Tabela com a cota de pagamentos de cada clube na temporada 17/18. Nela contemplam: comerciais, TV (para fora e dentro do país), etc…

Acima de tudo, o que faz da Premier League um torneio tão respeitado vai muito além das tais cifras. Mas a própria tentativa de equiparar os big six com o restante dos times médios e de menor expressão na competição faz dela também a mais justa de todo o planeta.

Isso tudo, claro, sem levar em conta o aparente equilíbrio presente na liga. Outro fato que marca a Premier League discorre sobre sua audiência in loco: segundo estudo feito pela European Professional Football Leagues (EPFL), a Premier League é a segunda liga com a maior média de público na Europa desde a temporada 2010/11, atrás apenas da Bundesliga.

Como essa edição da UCL é fundamental para Tottenham, Liverpool e os times de Manchester?

Com muita folga (mas muita mesmo) vejo esse final de temporada e presença nas quartas-de-final de Champions como preponderante para a consolidação dos Spurs no cenário internacional. Se a equipe de Mauricio Pochettino foi colocada frente a frente com a de Guardiola num cenário dito como improvável, eu já enxergo tal chance como única para a (pequena) história do clube londrino. Tirando a vitrine que a UCL oferece, o Tottenham – depois de deixar o Borussia Dortmund para trás com facilidade – vai se firmando na prateleira “dos mais presentes” no torneio com certa naturalidade. Vejo-os, tratando-se de um clássico em nível nacional, no mesmo nível dos Citizens e com literalmente as mesmas chances de classificação no cenário atual.

Para o City, entretanto, o “modelo PSG de ser” vem afetando com força toda a instituição. Voando na Premier League e com um elenco montado às custas de investimentos árabes mega bilionários, a equipe azul de Manchester ganha, a cada ano que passa, um pouco mais de pressão ao avançar de fase na Champions. Diferentemente do Tottenham, não apenas por sua presença constante no topo, mas também pelo fator poder, o que absolutamente todos sabem que o time é atribuído (unicamente em termos econômicos nos últimos anos).

Apesar de seu tamanho, o Liverpool não vive um dilema parecido com o do City na Liga dos Campeões (não neste momento, pelo menos). Se a equipe do norte da Inglaterra também vem traçando um caminho enorme no campeonato de pontos corridos local, a necessidade (ou pressão) por levantarem a taça chega a ser menor que a de times economicamente mais visados atualmente, mesmo há quase 15 anos de seca no torneio intercontinental. Mas, por se tratar de um Liverpool x Porto, a tendência é uma classificação tranquila, sim. Não há, porém, a pressão máxima pelo título.

Ao meu ver o “menos pressionado dos clubes ingleses”, o gigante Manchester United terá a quase-impossível tarefa de ficar cara-a-cara com o Barcelona por 180 minutos. Dou um 70 a 30 em fichas para os catalães passarem de fase, mas o próprio United mostrou ao mundo na última fase que subestimá-los não vale nada a pena. Mesmo assim, Ole Gunnar Solskjær terá a missão de se trancar e “ver no que dá” para conseguir alguma coisa de positivo nesse clash; o que implica, para mim, em ser uma zebra qualquer situação que envolva uma classificação do time de Manchester. Que venha a zebra, assim!