Tapando apenas um dos olhos

Foto - Divulgação: Newcastle United / Website oficial

O futebol sempre teve e sempre terá dessas. Se é com nosso time… tudo bem, todos os méritos, nada fora do comum. Mas, se não é com a gente – e principalmente se é naquele time chato, que geralmente incomoda, a coisa toma uma proporção completamente diferente. É bem normal, afinal somos todos minimamente clubistas, por mais que alguns garantam que muitos neguem fielmente.

Bom, o assunto da vez é a ascensão – meteórica e financeira – do que tudo indica que pode ser mais um “novo-rico” dos campos (e fora deles). Isso porque o Newcastle, tradicionalíssimo clube do extremo norte da Inglaterra, tem a papelada, caneta na mão e alguns míseros detalhes que os separam de uma compra por um Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita. Tudo indica que a oferta deve bater cerca de 300 milhões de libras esterlinas, transação que não permitirá que Mike Ashley seja o CEO do clube, e que deixará 80% (ou quase isso) nãos mãos dos sauditas.

A questão é que tem muita coisa nas entrelinhas incomodando os não simpatizantes do clube inglês. Obviamente, por pura e simples questão de xenofobia, grita-se “dinheiro árabe” quando a ocasião é de investimento desse mesmo grupo, assim como foi no momento de aquisição de árabes por parte do Manchester City (que coincidentemente não fica muito longe dali). Fato é que, no caso do City, a bolha de todos aqueles contra a ascensão do clube se estourou temporadas antes do título em 11/12, ou seja, só começaram a reclamar no auge em que o clube se encontrava. Na mesma cidade de Manchester, o United recebe o mesmo aporte financeiro graças aos trilhardários americanos dos Glazers. Se o fato de não serem árabes abafa? Claro que abafa. Da mesma forma que o Chelsea, comprado lá atrás por Roman Abramovich, no caso russo, e que por isso não trás o mesmo “zum zum zum” que qualquer clube inglês ou italiano comprado por algum africano ou árabe, também é deixado de lado.

Os Citizens são o exemplo de modelo mais recente a ser seguido pelo Newcastle (Foto – Divulgação: REUTERS)

Tirando essa questão, que extrapola as quatro linhas, é absolutamente natural que o apaixonado por futebol “aproprie-se” de forma firme da expressão “dinheiro não compra história” quando esses casos vem à tona. A verdade? Sim, o maior medo é justamente esse. O dinheiro não vai propriamente comprar a história, mas dar um grande passo para possibilitar sua construção. Os outros dez mil e um fatores envolvidos são meros detalhes no barco de dinheiro que qualquer investidor sério trás para essas instituições. Todo mundo tiraria essa ideia da cabeça se o mesmo acontecesse com seu time de paixão. 

Mas sim, seria (e talvez será) bem estranho ver um Coutinho e um Cavani – que realmente vem sendo especulados – com a camisa do mediano Newcastle, mas a (dolorida) verdade é que é uma pena não ser com meu time de coração.

Mais estranho ainda será encarar a real possibilidade de ter o Newcastle como mais uma potência, não só em nível de Premier League e de Big-six (que eventualmente transformaria-se em seven), mas brigando com os maiores times da Europa. Assim como no caso do City, o assédio e o ápice pode demorar para chegar, mas o susto nos rivais será exatamente o mesmo.

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