“Qual é a ideia, Scaloni?”

A pergunta aparece na capa da edição de domingo do Diario Olé. E não quer calar. Nos últimos 20 anos, só em duas ocasiões a seleção argentina teve uma ideia de jogo devidamente pensada e implantada. Em 2006, com José Pekerman, e 2014, com Alejandro Sabella. Eram visões praticamente opostas, diga-se. À grosso modo, pode-se dizer que Pekerman pregava ofensividade e protagonismo, enquanto Sabella montou um time reativo, capaz de dar sustentação defensiva para Messi brilhar no ataque. Ou seja, a questão nem chega a ser qual é a melhor forma de jogar. O problema é escolher um caminho, seja ele qual for, e saber como pavimentá-lo.

O principal culpado não é Scaloni, é quem o colocou lá. É o interino que vai ficando porque ninguém quer essa roubada, a despeito da relação visceral dos argentinos com sua seleção. O jovem treinador argentino não tem, pelo menos ainda, bagagem, vivência suficiente para comandar a Albiceleste.

O jogo contra a Colômbia deixa isso latente. Não vou ser leviano de entrar em questões táticas, sendo que só consegui ver um compacto do jogo. Mas dá para questionar as mexidas feitas. Principalmente a última. Faltando dez minutos, perdendo por 1×0, entra Matías Suárez no lugar de Agüero. Como Suárez pode ser o escolhido quando você tem Dybala e, principalmente, Lautaro Martínez no banco? É absolutamente surreal, inexplicável. A não ser que Scaloni tenha confundido esse Suárez genérico com o ótimo Pistolero uruguaio.

Foto: FRED MAGNO

A falta de criatividade também chama atenção. Em situação adversa e com pouco tempo no relógio, é de se esperar uma tentativa mais sofisticada do que simplesmente trocar um atacante por outro. É até elementar, dadas as circunstâncias, pensar em tirar o volante Paredes para colocar Dybala ou Martínez, por exemplo.

Outro ponto questionável é a enésima oportunidade dada ao Kun Agüero. Na seleção, jamais conseguiu ser sequer uma sombra do jogador que foi e é em seu clube. E lá se vai aproximadamente uma década de tentativas. Pelo rendimento pobre, eu já teria aberto mão de convocá-lo para dar lugar à atletas mais jovens e com potencial para escrever uma história diferente na seleção.

Ganhar com a Argentina hoje requer um milagre de proporções tão hercúleas que nem Messi parece capaz de alcançá-lo. Porque não há nem mesmo um esboço de planejamento. Seja dentro ou fora de campo. Para além de Messi, não há nada. É um deserto de ideias. Assim, o camisa 10 acaba virando orquestra, quando deveria ser maestro. E pode também se tornar o maior desperdício da história do futebol argentino, sendo que, se contasse com uma estrutura minimamente equilibrada na seleção, ele poderia tranquilamente ser o próximo D10S dos hermanos.

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