O parâmetro Mbappé

Desde que Kylian Mbappé estourou para o mundo após a Copa do Mundo, o patamar e as referências para as “novas safras” de jogadores mudaram bruscamente. A idade-margem caiu bastante e a linha entre o fracasso e o sucesso está cada vez mais tênue. A pressão é dobrada para cima desses jovens, que muitas vezes têm seu futuro “previsto” fundamentalmente em cima de um número. E a que ponto isso poderá virar uma tendência no mundo do futebol?

A partir do momento em que tira-se como referência um jogador de 18, 19 anos como o craque do momento, qualquer peça que aparecer para o mundo diferente disso terá peso e medida diferentes. Muito acima da média para sua faixa etária, Kylian foi sim (e vendo sendo) uma figura à parte e vem destoando de seus companheiros, mas também alterou surrealmente a forma como os acompanhadores assíduos do futebol enxergam os jovens. É importante deixar claro que ele não tem nada a ver com isso.

Tudo, entretanto, tem dois lados. A parte boa dessa faca de dois gumes é que as bases dos principais clubes mudaram sua forma de revelar os jogadores e já não exitam em subir os jovens para as equipes principais como antigamente. A tendência natural, dessa forma, é que mais jogadores no parâmetro do jovem francês apareçam para o planeta de uma forma similar. O jogador de 21 anos dos dias de hoje não é tão jovem quanto era há cinco anos.

João Felix é um dos grandes exemplos dessa nova era. O camisa 79 do Benfica nasceu em Viseu, na região central de Portugal, tem 19 anos e é avaliado em 35 milhões de euros para o Transfermarkt. Apesar da pouca idade, já estreou pela seleção principal de seu país e é especulado em gigantes europeus em valores que rondam a casa dos 100 milhões de euros.


(Divulgação: Pedro Ferreira/Lusa/Paulo Calado)

Felix vem tendo sua vitrine principalmente na excepcional Primeira Liga que vem fazendo na atual temporada. Apesar da pouca robustez física, o jogador compensa isso com o enorme talento que vem mostrando localmente. João é um daqueles jogadores completos para sua posição, já que cumpre a maioria dos requisitos de um meia com muita qualidade.

Nessa mesma faixa etária, temos também Ousmane Dembélé e Marcus Rashford como cases similares. Esses jovens cumprem essa lacuna de uma forma bem parecida com a de Mbappé. Além da proximidade com a idade, são dois jogadores que já têm um destaque considerável em nível internacional por conta de terem presença garantida em suas seleções – e essa é uma das grandes vantagens do “jeito Mbappé” de se acompanhar futebol.

Outro nome que temos “muito quente” nesse sentido é o de Moise Kean, centroavante da Vecchia Signora. O jogador é outro exemplo promissor que vem aparecendo principalmente nessa temporada. Nascido em Vercelli, no norte da Itália, Kean tem 19 anos recém-completados e foi o primeiro jogador nascido nos anos 2000 a marcar um gol na Série A do Campeonato Italiano. Além disso, foi também o grande nome da seleção da Itália nas duas primeiras partidas das Eliminatórias para a Eurocopa de 2020.


(Divulgação: Massimo Pinca/Reuters)

O futuro dessa safra depende diretamente dos olhares externos. Como tudo nos dias de hoje carece de uma comparação (seja ela válida ou não), a visão que teremos desses jovens à longo prazo depende diretamente do que se pensa deles em comparação com outras promessas – como se houvesse – de fato, um modelo a ser seguido.

Ambos os pontos são importantes, já que mesmo impondo um “prazo de validade” para que o jogador se prove como promissor ou flop o simples fato de puxá-lo para um patamar acima com um parâmetro que sirva de bom exemplo para sua carreira já é benéfico por si só. Só devemos tomar cuidado ao criar esses rótulos a torto e a direito.

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