Pão e circo

Divulgação/Twitter @CSAoficial

E o palhaço é o torcedor. À essa altura, no entanto, acho que é a minoria que permanece suscetível ao fantástico mundo dos cartolas brasileiros. 
Surreal a dança das cadeiras que aconteceu entre os treinadores do Z-4 faltando três rodadas para o fim do campeonato. Irônico seria o CSA, o mais prejudicado da história, conseguir um milagre e se salvar, rebaixando os outros dois.

Cada um por si

Sejamos justos, Argel Fucks fez bom trabalho no CSA neste Brasileirão, apesar de ser um técnico fraco. Teve 41% de aproveitamento, que atualmente corresponderia a ocupar o 13º lugar no campeonato. Mas implodiu sua própria obra ao largar o time alagoano para assumir o Ceará, concorrente direto contra a degola.

 O que ele fez não é contra a lei, mas é uma baita pobreza de espírito. Abandonou o barco sem a menor cerimônia. Como se não bastasse, assumiu o leme do barco rival.

Precisará derrubar seu time de quinta-feira para salvar seu time de sábado. Parece piada, mas é só o futebol brasileiro no pleno esplendor de seu amadorismo.

Déjà vu

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro/Divulgação

No início de 2019, o Flamengo contratou Abel Braga por seus predicados como gestor de pessoas, pela sua capacidade de aglutinar os jogadores em torno de si. Mas o campo falou mais alto. Ali, Abelão já está ultrapassado e sem conteúdo. Fracassou em montar um time mesmo com o melhor plantel do Brasil em mãos.

Ignorando as lições da passagem do treinador pela Gávea, o Cruzeiro o contratou com a mesma prerrogativa usada pelo Fla meses antes. Chegou com o beneplácito de um elenco mimado e como última esperança de estimular os atletas.

Não conseguiu e, de quebra, morreu abraçado com os medalhões decadentes. Soluções táticas também passaram longe, é claro. Um desastre completo. Apenas três vitórias em 14 jogos. E uma senhora coleção de empates, foram oito.

Adilson Batista, demitido do Ceará na semana passada, agora está no Cruzeiro. Precisará derrubar seu time da última semana para salvar sua equipe desta semana. Parece piada, mas é só o futebol brasileiro no pleno esplendor de seu amadorismo.

Vendendo ilusões

 Se algo entendo de futebol, não compro — nem mesmo na Black Friday — a ideia de que trocar o técnico faltando três jogos resolverá alguma coisa. A salvação não virá pela competência de alguém, e sim pela incompetência de outrem. 

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