O Panorama da Copa América 2019

O Panorama da Copa América 2019

13/06/2019 0 Por Paulo Madrid

Brasil

Há males na vida que vem para o bem. Assim pode ser definido o corte de Neymar por lesão, que acabou o tirando do torneio de seleções. A acusação de estupro, além de pesar contra ele, estava pesando também para a preparação da Seleção. Sem ele, o assunto na Granja Comary volta a ser “apenas futebol”. O Brasil perde seu maior talento individual, mas ganha paz. E segue com um plantel perfeitamente capaz de entrar forte na briga pelo título.

Créditos: Conmebol/Site Oficial

Paraguai

Juan Carlos Osorio fez apenas uma partida no comando da seleção e saiu por questões familiares. Eduardo Berizzo assumiu a bronca e será o técnico na Copa América. O país não conseguiu classificação para Copa de 2018 e vivencia uma entressafra de jogadores. A princípio, não empolga, mas conta com o benefício da dúvida.

Venezuela

Exemplo claro de que o mundo do futebol não é uma bolha. Ao se falar de Venezuela, é impossível ignorar o momento político vivido pelo país. O time pode usar a crise como motivação para dar uma alegria ao povo, mas, pode também – em função dos problemas – não conseguir se concentrar em apenas jogar futebol. Em campo, conseguiu vitória recente em amistoso contra a Argentina, resultado que aumentou a confiança para encarar a competição.

Créditos: Conmebol/Site Oficial

Bolívia

O craque da Bolívia é a altitude. É um clichê, mas todo clichê tem uma razão de existir. Futebol fraquíssimo e habitual última colocação nas eliminatórias. E sem nenhuma perspectiva de que essa melancólica regularidade seja rompida na Copa América.

Argentina

Chega mais uma vez desnorteada, tanto fora quanto dentro de campo. O técnico é o novato Lionel Scaloni, que ali está por mera falta de opção, em função do quase nulo poder de convencimento da AFA nos dias atuais. No comando desde o final da Copa de 2018, Scaloni ainda não conseguiu nenhum resultado expressivo, exceto uma derrota inapelável para a Venezuela em jogo amistoso. Em meio a esse deserto de ideias, a esperança recai inteiramente sobre os ombros de Lionel Messi. Haja milagre!

Créditos: AFA

Colômbia

Carlos Queiroz assumiu a seleção colombiana em fevereiro. Uma escolha, no mínimo, intrigante. O trabalho anterior de Queiroz foi comandar o Irã na Copa da Rússia. Portanto, um estilo bastante oposto ao histórico do futebol colombiano, que é ofensivo e intenso. Porém, se o treinador português conseguir uma mistura entre a sua sobriedade e a alegria dos colombianos, pode obter resultados interessantes. Só o tempo dirá.

Peru

O futebol peruano vive seu melhor momento em muitos anos. Foi à Copa do Mundo em 2018, depois de 36 anos de ausência. Também vem de bons resultados no cenário continental. Foi terceiro colocado na Copa América de 2011 e 2015. Bem treinado por Gareca, o time tem tudo pra fazer figura interessante também na edição de 2019, aquela que pode ser a última aventura dos ídolos Paolo Guerrero e Jefferson Farfán pelo combinado nacional.

Créditos: Conmebol/Site Oficial

Catar

Apesar de ser atual campeão da Ásia, mostrou, no amistoso diante do Brasil, toda a sua inocência, ingenuidade e, claro, fragilidade técnica. Convite político em função da Copa de 2022 ser realizada por lá. Candidato à “figuração” no torneio.

Uruguai

Possivelmente é o trabalho mais bonito feito por um treinador no futebol atual. Óscar Tabárez não se limita a fazer um excelente trabalho com a seleção principal no campo, onde consegue resultados expressivos. Ele também coordena todo o trabalho de categorias de base da Associação Uruguaia de Futebol e atrela o futuro dos garotos no esporte ao desempenho escolar deles. Questão que deveria ser óbvia, mas que raramente é levada em conta no futebol latino-americano. Como se não bastasse, em termos de campo e bola, a seleção principal do Uruguai desponta como principal favorita ao título da Copa América.

Créditos: Conmebol/Site Oficial

Chile

Tem cara e clima de fim de ciclo. A geração que brilhou com Sampaoli está em franco declínio e já ficou de fora da Copa de 2018. Claudio Bravo, goleiro e capitão do time que foi bicampeão da América, está brigado com boa parte do elenco e não virá ao Brasil. Reinaldo Rueda tenta fazer a transição, mas seu trabalho até aqui é ruim. São apenas quatro vitórias em dez jogos e muitos questionamentos da imprensa e do povo chileno.

Equador

Começou muito bem nas eliminatórias para a última Copa, mas perdeu o rumo após uma derrota em casa para o Brasil, logo na estreia de Tite. Hernán Darío Gómez, que comandou o Panamá na Rússia, assumiu a seleção equatoriana após o torneio. Em termos de disputa pelo segundo e terceiro lugar, caiu no grupo mais equilibrado. Tem condições de se classificar.

Japão

Os samurais fizeram excelente campanha em território russo. Abriram 2×0 e quase eliminaram a poderosa Bélgica nas oitavas-de-final. O técnico Akira Nishino deixou a seleção após a Copa, dando lugar a Hajime Moriyasu. Foi finalista da Copa da Ásia, sendo surpreendido pelo Catar na final. Os resultados em amistosos não empolgaram. Perdeu para a Colômbia, venceu Bolívia e El Salvador e perdeu para Trinidad e Tobago. Pode ter perdido força em relação ao Mundial, mas dá para brigar com Chile e Equador por uma vaga na segunda fase.