Na presença de D10S

Na presença de D10S

20/06/2019 0 Por Paulo Madrid

O relógio já passava dos 15 minutos de jogo quando, enfim, tive vista do gramado do Gigante da Pampulha. Fui lá ver Messi. Gostaria de dizer que fui ver a Argentina, mas ultimamente a albiceleste não vale o ingresso. Cerca de cinco minutos bastaram para perceber que o jogo era ruim de doer. Meu primeiro comentário para o meu amigo: “É mais interessante ver Messi se movimentando do que acompanhar a bola”.

O olhar só convergia quando a bola chegava a La Pulga. A primeira chance veio numa falta na entrada da área, mas ele bateu fraco. Começou jogando pela direita, mas teve pouca influência no jogo atuando por ali. Tentou pelo meio, mas não encontrou o tão querido espaço entrelinhas nas costas dos volantes. Ficou encaixotado. Os meio-campistas argentinos raras vezes conseguiram encontrar o camisa 10. Só conseguia pegar a bola com pouco mais de tranquilidade quase na linha do meio-campo. Encarou as duas linhas de quatro do Paraguai e tentou arrancadas, também sem sucesso, embora me fizesse levantar da cadeira em cada lance. A esperança é a última que morre. Prometi pra mim mesmo que não falaria de questões táticas neste texto, mas é mais forte do que eu, ao que parece.

(Photo by Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images)

Vale destacar a abnegação dos torcedores argentinos. Não eram poucos os que estavam no Mineirão. Mesmo com as vaias de alguns brasileiros, foi possível escutar todos os clássicos da torcida hermana, desde o simples Argentina, Argentina até o provocativo Brasil, decime qué se siente. Perante uma exibição sofrível, insultante, apoiaram até o último minuto.

No primeiro tempo, um grupo de três argentinos sentados abaixo de mim sofria. Um deles levou às mãos à cabeça e até se sentou, desconsolado após o gol paraguaio. O semblante era o típico de quem vê o mesmo pesadelo se repetir pela enésima vez. Eu quis apoiá-los, aplaudi-los pela devoção, por seguirem viajando longe para torcer mesmo depois de todo o descaso que a AFA mostrou e mostra para com a seleção e, por conseguinte, para com os torcedores. Mas acabei não dizendo nada. Só o campo poderia lhes trazer paz.

Passou longe disso, diga-se. A Argentina até melhorou um pouco na segunda etapa, mas não deixou de estar bem abaixo da crítica. Pelo menos, vi Messi fazer um gol. Pênalti de manual, entrou tocando a bochecha da rede. Vibrei como se não houvesse amanhã. Gritei, pulei, extravasei o privilégio e o sonho realizado de vivenciar aquilo. Não me esquecerei do arrepio e frio na barriga (positivos) a cada vez que ele pegava na bola. De levantar de um salto da cadeira a cada toque dele na bola. Mesmo sem brilhar, Leo vale o ingresso pelas expectativas que envolvem a sua simples presença em campo. Gracias, D10S.