As várias faces de Fognini

Falar de Fabio Fognini é de falar de extremos. Você nunca vai encontrar o adjetivo certo para uma pessoa como ele. Entre os vários jogadores que são possíveis de se decifrar à primeira vista, daqueles que você bate o olho e diz: “esse é bom, mas não vai vingar”, há também aqueles que o limite fica também bastante visível a olho nu, do tipo que dá pra saber que qualquer pico na carreira será como “tirar leite de pedra”. Fato é que o jogador diferenciado sempre levanta a mão, e com Fognini não foi diferente.

Fabio Fognini nasceu em Sanremo, no sudoeste da Itália. Virou “pro” pela ATP no ano de 2004, com apenas 16 anos de idade. Desde muito cedo, no início de sua carreira profissional como tenista, já mostrou ser diferente por motivos bem óbvios. O que deixava tudo tão óbvio era explícito: por ser um atleta de tênis relativamente baixo – com 1,78m – Fabio destacava-se por sua “munheca forte” – termo no tênis relativo a boa capacidade de bater na bola, que não o deixava para trás se levarmos em consideração o aspecto físico, que é, por exemplo, uma característica dessa nova geração do esporte. Por essa e outras nunca foi vista por parte do jogador uma dedicação exemplar como profissional para se contrapor com sua técnica. A balança sempre esteve na vida de Fabio, para o bem ou bem ou para o mal de sua carreira. Fognini sempre foi famoso justamente por produzir muito e parecer não fazer muito esforço, tamanha a sua qualidade.

Uma curiosidade de Fognini que engloba poucos jogadores do top-100 mundiais é marcante: o jogador mora em seu país de nascimento, fugindo à etiqueta de vários atletas de renome que procuram outros centros ao se estabilizarem como referências do esporte. Fabio é casado com a ex-tenista italiana Flavia Pennetta.

Desde o início de sua carreira, o tenista italiano encara sua habilidade de uma forma, no mínimo, muito estranha. Jogar “de terno”, termo que é muito aplicado no mundo do futebol, adequa-se perfeitamente ao tenista italiano. Fabio consegue unir uma técnica muito apurada, sem parecer desgastar-se e mantendo a elegância em seu jogo.


O contraponto de sua carreira foi (e vem sendo), por todos esses anos, seu psicológico fraco. Fognini sempre foi uma bomba-relógio. Para vários especialistas e ex-treinadores do italiano, ele é o único responsável por não guinar sua carreira a um patamar exclusivo de um absoluto vencedor. Dono de um serviço muito acima da média e de um dos forehands mais firmes de sua geração, o italiano foi capaz de desconstruir qualquer projeção maior para si mesmo somente por conta própria.

Para se entender melhor, Fognini já foi capaz de bater Nadal no saibro e Djokovic no cimento em um mesmo (curto) período de tempo em que abandonou outras duas competições em quadras corridas por pura displicência. Em torneios da ATP, Fognini já disputou 13 finais e conquistou 5 troféus em simples. Já nas duplas, disputou 12 finais e conquistou 4 troféus. Jogando ao lado do compatriota Simone Bolelli, o italiano conquistou o Australian Open de 2015, conquista que foi histórica para a Itália, já que depois de 46 anos os italianos finalmente puderam comemorar um título de duplas em Grand Slams.

É também complicado falar de um jogador de 31 anos como se estivesse lamentando sua carreira como “jogada ralo abaixo”. Há pouco mais de três semanas, Fabio superou Dusan Lajovic e conquistou o maior título da carreira no Masters 1000 de Monte Carlo.

REUTERS/JEAN-PAUL PELISSIER

O tênis vai sentir muita falta de personagens como o Fognini, que com toda a certeza será uma exceção à regra num futuro próximo, onde a força física e a mobilidade falam mais alto e têm uma relevância maior para as academias que técnicas que fogem ao padrão e metodologias diferenciadas.

Digo com total tranquilidade que Fognini poderia ter feito história no tênis há muito tempo. Quem não cooperou foi o próprio jogador, entretanto. É lamentável, por tratar-se de um dos grandes personagens recentes para a história desse esporte.

Leave a comment

Your email address will not be published.


*